
Batizado de Aprender, para quê? Programa é voltado para alunos que estão no 9º ano do ensino fundamental ou no ensino médio, faixa com maior evasão escolar no País
Um dos grandes problemas da educação no Brasil é a evasão escolar. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e Observatório Social mostram que 39% dos jovens abandonam a escola para trabalhar; 11,5% por afazeres domésticos e 24% por gravidez. No entanto, 45% deixam os estudos, mas não trabalham e 29% simplesmente não têm interesse.
Para tentar reverter essa triste estatística, a JA Brasil, uma das maiores organizações mundiais focada em impulsionar o futuro dos jovens, está lançando um novo programa para resgatar da evasão escolar os alunos da rede pública de ensino e mostrar a eles a importância do conhecimento ao longo da vida.
Batizado de “Aprender, para quê”?, o programa busca estimular jovens a quebrar a barreira da falta de incentivo e estrutura, da questão financeira e até do bloqueio emocional e voltar a se interessar por aprender. Em formato de EAD (educação à distância), as aulas serão interativas, com utilização de jogos e dinâmicas.
Gratuito e totalmente online, o método é voltado aos alunos que estão cursando o 9º ano do ensino fundamental ou no ensino médio, faixa com maior evasão escolar no Brasil.
“É uma questão sócio-cultural. Muitos jovens pensam: ‘está bom até aqui’, porque precisam trazer renda para casa, não veem perspectivas ou acabam engravidando. Esses jovens não são incentivados a sonhar, a olhar o futuro de forma grandiosa. Estão desanimados em relação ao estudo, cenário que foi agravado pela pandemia, onde devido à urgência da situação familiar faz mais sentido trabalhar do que estudar. É justamente para resgatar o vínculo desses jovens com o aprendizado que criamos o Aprender, para quê?”, afirma Juliana Vieira, Coordenadora de Projetos da JA Brasil e co-responsável pelo desenvolvimento da metodologia.
Como é a metodologia do programa?
Por entender que o aprendizado não é algo linear, a metodologia do programa é totalmente disruptiva fazendo o jovem entender porque aprender ao longo da vida é importante e necessário.
Utilizando ferramentas da educação moderna, o programa visa desenvolver o autoconhecimento, a autoconfiança e elevar a autoestima, quebrando os bloqueios de aprendizagem, levando os jovens a reconhecer e aprender a lidar com seus talentos e dificuldades. Ao todo são 9 horas, sendo 5 de EAD e 4 de aulas síncronas.
- Aula Inaugural – Essa aula introduz os alunos na habilidade “aprender a aprender”.
- Módulo 1 – Chamado de Peraí, onde eu tô? Esse módulo utiliza o game Mundo Vuca jogo virtual e gratuito que prepara os jovens para o mercado de trabalho. Além disso, busca incentivar as múltiplas inteligências, diferentes formas de aprendizado e mostrar a diferença entre renda e escolaridade.
- Módulo 2 – Tá, e eu com isso? Nesta se propõe a trazer memórias afetivas da escola, utilizando ferramentas (canvas do estudo, Ikigai) e como identificar os “sabotadores” internos da aprendizagem.
- Módulo 3 – E agora, como é que eu faço? O objetivo é demonstrar os caminhos da educação, conhecimento autodirigido e os 4 degraus da aprendizagem.
- Módulo 4 – Enfim, pra onde eu vou? Aqui os alunos aprendem a história do trabalho, com exemplos que inspiram e as soft skills necessárias para se dar bem nesse mundo.
- Módulo 5 – Beleza, e como posso me bancar? Voltado ao planejamento e organização financeira, onde aprendem a desenvolver planilhas para mudança de hábitos com o dinheiro e os gastos.
- Aula de Encerramento – Nesta aula, os alunos debatem sobre a relação entre renda e escolaridade, evasão escolar e, ao final, têm acesso a uma metodologia chamada de taxonomia de bloom que os ajudará a entender como aprender melhor e a alcançar os objetivos educacionais.
“O mais importante é despertar no jovem a vontade de nunca parar de aprender e se reinventar. Mostrar que o futuro é promissor e que, se com escolaridade já é difícil, imagina sem? Principalmente em uma sociedade que se movimenta a cada momento, quanto mais aprendizagem, maior o repertório interno, as possibilidades de análises, de vivências, mais a vida melhora. A vida fica mais rica”, diz Juliana.
Para despertar nos alunos o espírito de facilitadores do conhecimento, ao final do programa a ideia é no futuro criarmos um canal na internet para que os próprios alunos possam transmitir aos novos inscritos o que aprenderam.